Não tente falar bonito!

"Caboclo, quando pega de ficar instruído, sabe que deve melhorar sua linguagem. Aprende que, entre mais coisas, não deve falar 'paia', 'véia', 'reio', 'mio', 'oio' e 'baruio'. Deve é dizer palha, velha, relho, milho, olho e barulho. Pois lá um dia o jeca-tatu vai à cidade falar com doutor. Claro, não se esqueceu de miorar, aliás, melhorar a linguagem. O doutor logo viu o esforço: não só o jeca aprimorou o velho e o barulho, mas ainda as 'telhas' de aranha e as 'arelhas' da 'pralha'. Isto é o que se chama exceder-se. Saltou no cavalo tão bem, que caiu no outro lado.”

(C. P. Luft) [1]

E assim todos nós, querendo fazer bonito, dizemos coisas assim:

  • Livro difícil de se ler.

  • Quero muito lhe ajudar.

  • Verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.

  • Essa confusão se trata de um grande mal entendido.

  • Observamos um projeto que desenvolveu-se muito rapidamente.

O nome deste fenômeno é hipercorreção (ou ultracorreção): numa tentativa insegura de demonstrar um conhecimento linguístico superior ao que efetivamente tem, o falante corrige o que já está correto, vê problema onde não há, exagera na pompa.

Aqui, porém, uso o conceito da hipercorreção num sentido mais amplo. Nos próximos textos desta série, vou tratar não somente de erros propriamente ditos, mas também de exageros e abusos que cometemos diariamente na tentativa de escrever bem, elevando o tom do discurso sem nenhuma necessidade.

Se você gostou deste tema e acha que pode ser útil para mais pessoas, curta e compartilhe! Também não deixe de comentar na nossa página do Facebook, com dúvidas, pedidos e sugestões!

[1] Retirado de http://sualingua.com.br/2009/05/11/hipercorrecao/


Posts recentes
Arquivo